Acabou Chorare – Novos Baianos: O clássico que redefiniu a MPB
A fusão de samba, rock e psicodelia que mudou para sempre a música brasileira e segue conquistando gerações

Quando se fala em revolução musical no Brasil, Acabou Chorare, dos Novos Baianos, é uma referência obrigatória. Lançado em 1972, o álbum não apenas consolidou o grupo como um dos mais inovadores de sua época, mas também se tornou um marco definitivo na história da MPB. Misturando samba, rock, choro e psicodelia, essa obra é tão rica quanto os encontros que a originaram.
No Cantinho do Disco, exploramos como Acabou Chorare transcende gerações e permanece como um dos discos mais icônicos da música brasileira.
Um encontro de influências e liberdade criativa
O álbum foi concebido em um período de grande transformação para os Novos Baianos. O grupo, formado por Baby Consuelo, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, vivia em comunidade em um sítio no Rio de Janeiro, onde experimentava novas formas de criação coletiva.
A principal virada aconteceu quando Gilberto Gil, então exilado em Londres, retornou ao Brasil e incentivou a banda a se aprofundar nas raízes da música nacional. Até então mais ligados ao rock psicodélico, os Novos Baianos passaram a mesclar sua energia libertária com o samba de João Gilberto e as harmonias do choro. Essa fusão resultou em um som único e atemporal, transformando o disco em um dos mais importantes da MPB.
Faixas em destaque
- “Preta Pretinha” – A mais famosa do disco, uma música hipnotizante com melodia envolvente e letra poética. A introdução no violão de Pepeu Gomes se tornou um dos momentos mais icônicos da MPB.
- “Brasil Pandeiro” – A faixa de abertura é uma releitura moderna do samba, resgatando a composição de Assis Valente que foi recusada pelo grupo Anjos do Inferno nos anos 40.
- “Acabou Chorare” – Com influência direta de João Gilberto, tem harmonias sofisticadas e uma interpretação marcante de Baby Consuelo.
- “Mistério do Planeta” – Uma explosão de liberdade e experimentação, com versos existencialistas que refletem o espírito coletivo da banda.
Curiosidades que enriquecem o disco
- O título “Acabou Chorare” veio de Bebel Gilberto: A expressão foi dita por Bebel Gilberto, filha de João Gilberto, ainda criança. Ao ouvir a menina falar isso ao ser consolada pelo pai, os Novos Baianos adotaram a frase como um símbolo da leveza e do tom lúdico do disco.
- O disco só cresceu com o tempo: Apesar de bem recebido na época, o reconhecimento definitivo veio anos depois. Em 2007, a Rolling Stone Brasil elegeu Acabou Chorare como o maior disco brasileiro de todos os tempos.
- Um disco de resistência em plena ditadura: Embora suas letras não fossem explicitamente políticas, Acabou Chorare representou uma forma de resistência, trazendo uma mensagem de liberdade criativa e vida comunitária em um período de repressão militar.
- Uma sonoridade que atravessa fronteiras: O álbum chamou atenção internacionalmente, sendo citado por artistas estrangeiros como um exemplo da riqueza musical brasileira.
- A importância dos arranjos: Com Pepeu Gomes brilhando no violão, além do cavaquinho e da percussão criando camadas rítmicas marcantes, o disco se tornou uma referência técnica e artística.
- Edições especiais disputadas por colecionadores: Ao longo dos anos, Acabou Chorare recebeu relançamentos comemorativos em vinil, incluindo edições importadas e prensagens especiais, tornando-se um dos discos brasileiros mais procurados por colecionadores.
Por que ouvir no vinil?
A riqueza dos arranjos acústicos, vocais e percussivos de Acabou Chorare brilha ainda mais no formato analógico. O vinil proporciona mais profundidade sonora, ampliando a textura das cordas, a suavidade das harmonias e a vibração dos instrumentos de percussão. É a melhor forma de sentir a energia e a espontaneidade desse disco lendário.
Escute a versão completa do álbum no Spotify:
Conclusão
Mais do que um álbum, Acabou Chorare é uma experiência musical que celebra a diversidade e a liberdade criativa. Cada faixa conta uma história única, capturando o espírito de uma época e provando que sua influência continua forte e atemporal.
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