Discos lançados em 1995 que completam 30 anos em 2025 e seguem relevantes
Entre britpop, alternativo e raiva feminina, três álbuns marcaram época e permanecem essenciais na agulha do toca-discos

1995 foi um ano de transformações na música. O grunge já não tinha a mesma força após a morte de Kurt Cobain, mas sua influência ainda ecoava. O britpop crescia como fenômeno cultural no Reino Unido, enquanto nos Estados Unidos o rock alternativo ganhava ambições grandiosas. Ao mesmo tempo, a voz feminina encontrava novas formas de expressão no mainstream. Três décadas depois, alguns discos lançados naquele ano permanecem tão intensos quanto no dia em que chegaram às lojas, mostrando que o tempo não enfraquece obras verdadeiras.
No Cantinho do Disco, acreditamos que o vinil é mais do que formato: é a melhor maneira de revisitar a energia de álbuns que atravessaram décadas. E em 2025, vale colocar a agulha sobre três títulos que completam 30 anos e continuam indispensáveis.
Oasis – (What’s the Story) Morning Glory?

Lançado em 2 de outubro de 1995, o segundo álbum do Oasis é, até hoje, um dos maiores símbolos do britpop. Produzido por Owen Morris, trouxe refrões colossais e canções que se tornaram parte do imaginário coletivo, como Wonderwall, Don’t Look Back in Anger e Champagne Supernova. O disco vendeu mais de 22 milhões de cópias no mundo e consolidou o Oasis como a banda que levou o britpop a um patamar global.
Na época, a disputa com o Blur pelo topo das paradas virou notícia mundial, mas foi o Oasis que conseguiu transformar esse embate em hino geracional. Em vinil, as guitarras soam densas, e a parede sonora ganha corpo de forma que o digital não alcança. O disco vendeu mais de 22 milhões de cópias no mundo e continua sendo um dos LPs mais buscados quando o assunto é rock dos anos 90.
Smashing Pumpkins – Mellon Collie and the Infinite Sadness

Poucos álbuns de 1995 foram tão ambiciosos quanto o duplo Mellon Collie and the Infinite Sadness. Com 28 faixas e quase duas horas de duração, o Smashing Pumpkins entregou um épico que atravessa baladas suaves, explosões de guitarra e experimentações de estúdio. O álbum estreou em 1º lugar na Billboard 200 e foi certificado com Diamante nos Estados Unidos, vendendo mais de 10 milhões de cópias só no país. Produzido por Billy Corgan, Flood e Alan Moulder, buscava ser para o alternativo o que The Wall foi para o Pink Floyd: uma obra total.
Faixas como 1979 e Tonight, Tonight se tornaram clássicos imediatos, mas o álbum também brilha em momentos menos óbvios, como Porcelina of the Vast Oceans ou Thru the Eyes of Ruby. Produzido por Flood e Alan Moulder, o trabalho buscava ser o equivalente alternativo ao que The Wall foi para o Pink Floyd: uma obra total. No vinil, a divisão em quatro lados dá respiro à escuta e permite que cada faixa ganhe a intensidade que merece.
Alanis Morissette – Jagged Little Pill

Lançado em 13 de junho de 1995, Jagged Little Pill transformou Alanis Morissette de promessa canadense em voz global da fúria feminina. Produzido por Glen Ballard, o disco vendeu cerca de 33 milhões de cópias no mundo e conquistou o Grammy de Álbum do Ano em 1996, tornando-se um dos marcos mais importantes da década.
Canções como You Oughta Know e Hand in My Pocket revelam um retrato cru da juventude dos anos 90, marcada por contradições e sentimentos à flor da pele. Em vinil, a intensidade vocal de Alanis, o baixo marcado de Flea (Red Hot Chili Peppers) em You Oughta Know e os arranjos crus ganham um calor particular. É um álbum que não envelheceu — continua urgente e honesto, como um soco bem dado.
Por que revisitá-los em vinil?
O vinil devolve a fisicalidade a discos que nasceram em meio à era do CD. Na metade dos anos 90, esses álbuns foram pensados para o formato digital que dominava o mercado, mas ganharam nova vida em edições de LP lançadas nos últimos anos, muitas vezes remasterizadas para ressaltar timbres e dinâmicas que se perdiam na compressão. O peso das guitarras do Oasis, a ambição grandiosa do Smashing Pumpkins e a raiva catártica da Alanis encontram no sulco analógico o espaço onde cada detalhe respira e ganha presença.
Três décadas depois, o aniversário de 30 anos é a desculpa perfeita para voltar a colocar a agulha sobre esses clássicos. Mais do que celebração nostálgica, é um convite para ouvir de novo — ou pela primeira vez — obras que continuam urgentes, intensas e transformadoras.
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