Kid A – O disco que reinventou o Radiohead e o rock alternativo
Um disco revolucionário que quebrou expectativas e redefiniu os rumos da música alternativa

A ruptura com o passado
Após o sucesso de OK Computer, Thom Yorke enfrentou um período de exaustão criativa e emocional. O vocalista buscava escapar da estrutura tradicional do rock e mergulhou em influências como Aphex Twin, Can, Miles Davis e até a cena eletrônica de Berlim. O resultado foi um álbum que abandonou a fórmula convencional de guitarras e refrões para explorar texturas sonoras e atmosferas abstratas.
O disco abre com “Everything in Its Right Place”, um mantra eletrônico guiado por sintetizadores desconstruídos e vocais processados. Em seguida, a faixa-título “Kid A” aprofunda essa estética minimalista, quase robótica, com sua melodia etérea e batidas pulsantes.
Sonoridade e experimentação
Em Kid A, as guitarras que antes eram marca registrada do Radiohead aparecem de forma discreta, dando lugar a sintetizadores, samplers e batidas programadas. Faixas como “The National Anthem” trazem uma explosão de free jazz com um groove distorcido de baixo, enquanto “How to Disappear Completely” entrega um dos momentos mais emocionais do álbum, com orquestrações hipnóticas e uma letra carregada de melancolia.
Outras faixas como “Idioteque” mergulham no território da IDM (intelligent dance music), trazendo um beat sintético cortante e uma performance vocal ansiosa de Thom Yorke. Já “Motion Picture Soundtrack” encerra o álbum de maneira cinematográfica, com harmonias que remetem à música barroca e um clima quase etéreo.
Impacto e recepção
Inicialmente, Kid A foi recebido com estranheza por parte do público e crítica. Muitos esperavam um sucessor mais acessível de OK Computer, e o experimentalismo do álbum dividiu opiniões. No entanto, ao longo dos anos, ele foi amplamente reavaliado e hoje é considerado um dos discos mais importantes dos anos 2000.
A revista Rolling Stone incluiu Kid A entre os melhores álbuns de todos os tempos, e publicações como Pitchfork e NME reconheceram sua influência no rock e na música eletrônica. O álbum também foi um marco na distribuição digital, sendo um dos primeiros grandes lançamentos a vazar na internet antes de sua estreia oficial.
Escute a versão completa do álbum no Spotify:
Curiosidades sobre o álbum
- O título Kid A vem de um software sintetizador que a banda usou para gerar sons no álbum.
- Kid A foi o primeiro álbum do Radiohead a estrear em #1 na Billboard 200, um feito surpreendente para um disco tão experimental.
- “Idioteque” usa um sample de uma peça eletrônica da década de 1970 chamada Mild und Leise, de Paul Lansky.
- A ausência de singles e videoclipes tradicionais foi uma escolha deliberada da banda, que queria desafiar o modelo de divulgação convencional.
- O álbum foi gravado em diferentes estúdios ao longo de 1999 e 2000, incluindo um antigo casarão na zona rural da França e os estúdios Abbey Road, buscando um ambiente menos opressivo do que o processo de OK Computer.
- Thom Yorke revelou que Kid A foi fortemente inspirado por seu descontentamento com a fama após OK Computer, além de suas leituras sobre globalização e desumanização no final dos anos 90.
Conclusão
Kid A não é apenas um disco; é um manifesto artístico que redefiniu os limites do rock alternativo. Com sua mistura inovadora de eletrônica, jazz e experimentalismo, o álbum abriu novas portas para o gênero e influenciou uma geração de músicos. O Radiohead provou que era capaz de se reinventar, criando um dos álbuns mais enigmáticos e impactantes da história da música.
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One response
Muito boa matéria