Lady Gaga – Mayhem: caos, libertação e um reencontro com o pop
Um disco que resgata a essência performática de Lady Gaga e reverbera o impacto de um show histórico no Brasil

Quando Lady Gaga anunciou Mayhem, muita gente esperava mais uma reviravolta estética. Mas o que chegou às plataformas — e às prateleiras de vinil — foi algo maior: uma fusão entre todos os seus excessos e todas as suas feridas. Depois de uma trajetória que já passou pelo artpop, jazz, baladas introspectivas e hinos dançantes, Mayhem soa como o encontro de todas as Gagas em uma só. Caótico, teatral, dolorido e libertador. E ao vivo, na Praia de Copacabana, isso ganhou corpo, suor e choro diante de mais de dois milhões de pessoas.
Mais do que um disco, Mayhem virou um marco emocional para os fãs brasileiros. O show gratuito em maio de 2025 — o maior solo já realizado por uma artista feminina — trouxe não só a artista de volta ao país, mas também reacendeu um vínculo afetivo interrompido desde o cancelamento no Rock in Rio de 2017. Gaga chorou, agradeceu e fez de Copacabana um palco de reconciliação. Ouvir o disco hoje, especialmente em vinil, é como rebobinar esse momento coletivo e trazer pra perto um tipo raro de presença.
No Cantinho do Disco, a gente sempre acredita que discos contam mais do que histórias: contam momentos. E Mayhem é exatamente isso — um álbum que pulsa no peito, que se desdobra em memória e se impõe com força nos sulcos. Aqui, a gente mergulha no caos particular de Lady Gaga e na beleza que nasce dele.
O som do colapso: intensidade como linguagem
Com produção de Cirkut, D’Mile, Gesaffelstein, Andrew Watt e sessões gravadas no estúdio Shangri-La de Rick Rubin, Mayhem é um disco que equilibra synth-pop industrial com experimentalismo emocional. A abertura, “Disease”, já mostra ao que veio: batidas densas, ruídos quase metálicos e um vocal que flutua entre ameaça e vulnerabilidade. Gaga canta sobre ruínas afetivas e colapsos íntimos com intensidade.
Faixas como “Blade of Grass” e “Zombieboy” desaceleram e abrem espaço para atmosferas mais introspectivas, com sintetizadores carregados e camadas vocais que, no vinil, ganham ainda mais corpo. A textura do analógico ressalta a respiração entre frases, os silêncios e a dinâmica emocional de cada verso.
“Abracadabra”, o principal single, é um delírio pop com base techno e refrão hipnótico. É a faixa mais dançante do álbum, mas mesmo ela carrega um tom sombrio — como se a pista de dança fosse também um campo de batalha emocional.
“Die With a Smile”,dueto com Bruno Mars, se destaca pela construção delicada e poderosa. A canção, que ganhou uma performance especial no show do Rio, mistura vulnerabilidade e celebração, como se fosse um abraço dado sob o pôr do sol.
Copacabana: o palco da reconciliação
O show na Praia de Copacabana não foi só grandioso em números, mas simbólico. Depois de anos sem se apresentar no Brasil, Gaga se mostrou vulnerável, chorando ao lembrar do cancelamento de 2017 por motivos de saúde. A performance de “Die With a Smile” foi descrita por fãs como um dos momentos mais emocionantes da carreira da artista. E isso reverbera no disco: ainda que Mayhem não tenha sido feito com foco no Brasil, é impossível escutá-lo agora sem lembrar daquele reencontro.
Não à toa, uma das edições em vinil lançadas internacionalmente traz prensagens coloridas e pôsteres comemorativos — ainda sem confirmação oficial de versão exclusiva brasileira. Mas entre os colecionadores, a prensagem padrão de 180g já vem sendo bem avaliada, com acabamento brilhante e boa qualidade sonora. O cuidado estético e emocional transforma o item em uma extensão sensível da obra.
Camadas, dores e danças: um disco multifacetado
Mayhem não é fácil — e nem quer ser. Ele exige escuta atenta, convida a desconfortos e recompensa com beleza. Em “Zombieboy”, Gaga flerta com o grotesco e o sensível. Em “Garden of Eden”, questiona os padrões da fama. A cada estrofe, parece abrir um novo corte para depois curar com ritmo.
É um álbum que pede fôlego, mas também entrega. No vinil, a experiência se intensifica. Os graves pulsantes, os agudos mais sujos e as pausas dramáticas ganham corpo e textura. O som parece se mover pela sala — uma viagem sensorial que o digital suaviza, mas o analógico amplifica.
Um disco para sentir — e guardar
Para os fãs de longa data, Mayhem representa o reencontro com a Gaga provocadora, que transforma dor em performance. Para os colecionadores, é uma peça única: não só pelas diferentes prensagens disponíveis, mas pelo momento que ela representa. Um disco que se tornou memória coletiva, ao vivo, sob o céu do Rio, e que agora pode ser revivido sempre que a agulha tocar os sulcos.
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